una propuesta por Joseph Ratzinger
Cornelius Pfeifer ORC,
Conferencia do 2o simposio da Sociedade Ratzinger Brasil em Rio de Janeiro, 19 de abril 2019
1 Introdução
2 As discussões sobre a orientação da oração
3 A questão da orientação da oração na celebração da santa Missa
4 A presença da cruz sobre o altar
4.1 As rubricas do Missal Romano de 1920 e 1962
4.2 A reforma do Vaticano II
5 A proposta de Ratzinger: a cruz sobre o altar
6 Comentários críticos sobre o símbolo da cruz e sobre a orientação de celebração
7 Os argumentos dos teólogos críticos e a respostas de Ratzinger
8 O valor do simbolismo. A cruz como símbolo fundamental da celebração
9 Conclusão: A teologia da cruz9
1 Introdução
Uma qualidade encontrada nas obras de Joseph Ratzinger e Papa Bento XVI é certamente a sua capacidade de unir conceitos aparentemente díspares e apresentar uma síntese conciliadora, digna de imitação. Encontramos um desenvolvimento da sua teologia, mas nunca uma mudança radical na sua visão. Não há um ‘primeiro e segundo’ Ratzinger! É um teólogo da hermenêutica da continuidade, busca conciliar a Tradição com a inovação. Esta interpretação da continuidade é a chave para compreender a sua teologia da liturgia.
É bem conhecido o interesse de Joseph Ratzinger nos temas litúrgicos, onde encontramos também o seu estilo equilibrado, como o expõe Ricardo Reyes[1]. Tal qualidade reconciliadora desejamos mostrar com o exemplo do tema da cruz. Consideramos o nosso tema “a cruz sobre o altar” como uma proposta reconciliadora entre duas atitudes opostas na celebração: a orientação ‘versus populum’ e a celebração ‘ad orientem’.
No ano 2000 foi publicada a nova Introdução para o Missal Romano, a terceira edição, sob a autoridade do Papa João Paulo II, quando Jorge Arturo Cardeal Medina foi prefeito da Congregação para a Liturgia e Josef Cardeal Ratzinger foi Prefeito da Congregação para a Doutrina de Fé. A nova IGMR compreende 399 números. Mencionamos aqui alguns novos números que aparecem na IG-2002 do Missal Romano, em comparação com a IGMR de 1974, em cujos temas podemos encontrar algum reflexo do pensamento de Josef Ratzinger sobre a liturgia, que são por exemplo: IG 22-26: a eficácia pastoral da liturgia – ars celebrandi, a sábia escolha dos formulários e ritos, acomodações para diversas circunstâncias, considerando as necessidades pastorais dos fiéis; – o tema do silêncio (IG 56); – o sentido do ambão (58); – orientação dos fiéis para o ambão (133); – ornamentação do altar (305-306); – a cruz sobre o altar (308). O espaço sagrado: – o lugar dos presbíteros e ministros (310); – o lugar dos fiéis (311); – posição do tabernáculo (315). Sobre os vasos sagrados e a purificação (334); – os cantos na missa correspondentes ao ordinário (366); – adaptações das conferências episcopais (386-399).
A respeito do tema da cruz sobre o altar, parece que se trata apenas dum pequeno detalhe, a considerar a diferença do texto entre a IG 270 do MR-1974, onde se diz: “Haja também sobre o altar ou perto dele uma cruz que seja bem visível para a assembleia reunida”. Ao contrário, o texto da IG 308 do MR-2002 diz assim: “Sobre o altar ou junto dele coloca-se também uma cruz, com a imagem de Cristo crucificado, que a assembleia possa ver bem. Convém que, mesmo fora das ações litúrgicas, permaneça junto do altar uma tal cruz, para recordar aos fiéis a paixão salvadora do Senhor”.
Na introdução ao volume XI de sua Opera omnia, que trata sobre a liturgia, Joseph Ratzinger explica como ele tentou sair de discussões externas e insubstanciais, para ajudar a mostrar a grandeza de nossa liturgia. Nesta introdução (p. 7), como também na sua resposta a Olivier Bauer (p. 685), ele confessa que duvidava da inclusão do capítulo referente ao altar e a orientação da oração por ter sido objeto de tantas críticas. No entanto, ele considera que o conteúdo é suficientemente bem fundamentado para entender seu raciocínio.
O teólogo Ratzinger entende a cruz sobre o altar como o ponto de convergência na orientação da oração. Ele escreve: “pode-se, ao contrário, dizer, que se celebrava voltados para o sinal da cruz, que guarda em si toda a teologia do oriens”. Neste sentido, havia uma continuidade que remontava até o limiar da era apostólica. Agora, porém, deve-se admitir que ao menos desde o século XIX não somente tinha desaparecido a sensibilidade pela orientação cósmica da liturgia, mas quase não era mais compreendido nem mesmo o significado da imagem da cruz como ponto de referência na liturgia. Com isso, a antiga orientação na celebração tinha perdido o seu valor expressivo; podia se escutar a fala, segundo a qual o sacerdote celebraria “voltado para a parede” ou propriamente a ideia de que ele celebrasse “orientado para o sacrário.”
Nesta mesma introdução da Opera Omnia Vol. XI, o Papa Bento XVI tem o prazer de ver o sucesso progressivo de sua proposta sobre a cruz do altar na solução da discussão sobre a orientação do celebrante na liturgia eucarística:
«Felizmente, a proposta feita por mim no final do capítulo em questão [O altar e a orientação da oração] está abrindo cada vez mais com o tempo: não para fazer novas mudanças, mas simplesmente para colocar a cruz no centro do altar, para que o sacerdote e os fiéis possam olhar juntos, deixar-se guiar assim ao Senhor a quem todos rezam em uníssono»[2].
Ratzinger justifica sua posição em torno da cruz do altar. Podemos ver como ele concede a este elemento um importante valor litúrgico que poderia resolver inúmeros problemas emergentes no período pós-conciliar. Procuraremos entender como esse ponto, pode ter grande importância litúrgica, envolvendo elementos dogmáticos, espirituais e pastorais decisivos.
2 As discussões sobre a orientação da oração
Sobre o tema da orientação da liturgia foram escritos muitos livros. Uwe M. Lang, na sua obra “Conversi ad Dominum” apresenta na sua bibliografia mais de 40 publicações que se ocupam com o tema da celebração Ad Orientem[3]. Isto mostra que o problema não era trivial e a discussão frequentemente leva um tom polêmico.
Ultimamente, na conferência inaugural do evento Sacra Liturgia UK 2016, que aconteceu em Londres entre os dias 5 e 8 de julho 2016, o Prefeito da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina do Sacramentos, o Cardeal Robert Sarah, afirmou que “é muito importante que voltemos o mais rápido possível a uma mesma direção, os sacerdotes e todos os fiéis: para o oriente…”.
Compreenderemos que na liturgia eucarística se trata em princípio da nossa participação no sacrifício perfeito da cruz. A liturgia da palavra justifica que vejamos face a face o leitor e o povo, justifica o diálogo e a pedagogia entre o sacerdote e seu povo. Mas quando chegamos ao momento em que alguém se dirige a Deus – do Ofertório em diante – é essencial que o sacerdote e os fiéis olhem juntos para o Oriente. Este ‘oriente’, para o papa Bento XVI, é o símbolo da cruz.
“Quando a visão sobre Deus não é determinante, todo o restante perde sua orientação”, disse-nos Bento XVI. Também o oposto é verdade: quando se perde a orientação do coração e do corpo para Deus, perde-se o sentido da liturgia. Orientar-se para Deus é, antes de tudo, um fato interior, uma conversação de nossa alma com o Deus único. Por isso, a liturgia utiliza sinais, meios simples. A celebração “ad orientem” é um deles. É um tesouro do povo cristão que nos permite manter vivo o espírito da liturgia. A celebração orientada não deve se converter na expressão de uma atitude facciosa e polêmica. Ao contrário, deve continuar sendo a expressão do movimento mais íntimo e essencial de toda liturgia: dirigir-nos ao Senhor que vem.
3 A dinâmica da orientação da oração na celebração da santa Missa
O Catecismo da Igreja Católica (n. 1153) diz: “Uma celebração sacramental é um encontro dos filhos de Deus com seu Pai, em Cristo e no Espírito Santo, e este encontro se exprime como um diálogo, mediante ações e palavras.” O Catecismo (n. 2564) diz, além disso, da oração cristã: “A oração cristã é uma relação de Aliança entre Deus e o homem em Cristo. É ação de Deus e do homem.”
Isto vale de um modo especial para o centro mais íntimo da sagrada liturgia, a celebração da Eucaristia. “Encontro” significa uma relação recíproca, uma “relação de Aliança” entre Deus e o homem; portanto, um movimento de Deus ao homem e do homem a Deus (que chamamos ‘descida e subida’, em grego: katabase e anabase). Neste encontro – que sempre só pode acontecer “no Espírito Santo”, que é, em Deus mesmo, a comunhão entre o Pai e o Filho –, Jesus Cristo é o perfeito mediador, porque pode estar
♦ totalmente do lado de Deus em direção ao homem, como também
♦ totalmente do lado dos homens em direção a Deus.
O sacerdote que celebra a santa missa representa Jesus Cristo, o mediador, a Cabeça da Igreja. Por isso, também o sacerdote realiza na liturgia esta relação dupla, um movimento:
♦ a partir de Deus rumo aos homens (à Igreja, aos fiéis presentes); – santificação do povo,
♦ a partir dos homens rumo a Deus; – glorificação de Deus.
É uma relação que também é uma ação, a saber: a “ação pela qual, em Cristo, Deus santifica o mundo”;
e o “culto que no Espírito Santo os homens prestam a Cristo e, por Ele, ao Pai”[4].
A liturgia se constitui essencialmente de sinais (palavras, ações, coisas) que exprimem sensivelmente a verdade e realidade da ação litúrgica, bem como a realizam concretamente. Ora, se a postura concreta, visível do sacerdote deverá exprimir aquilo que ele de fato, nos diversos momentos da liturgia, está realizando – a saber, a relação (ação) dos homens em direção a Deus ou a relação (ação) de Deus em direção aos homens –, o sacerdote não pode – nem constantemente (a partir de Deus) estar voltado para o povo, – nem constantemente (a partir do povo e com o povo) estar voltado para Deus (para o altar, a cruz, o sacrário, o Oriente). Para o sacerdote, é importante que viva conscientemente essas duas relações e, por isso, assuma a postura que corresponde à respectiva relação – dentro das possibilidades dadas pelas normas litúrgicas.
Estamos conscientes, que o sacerdote na liturgia, quando ora ou proclama a leitura, a maior parte do tempo terá os olhos fitos no livro (no lecionário ou no missal). No entanto, deve procurar dirigir o seu olhar (no espírito e também visivelmente) para Deus ou para o povo a quem fala, e no possível desprender o seu olhar do livro. Quando, em nome do povo e com ele, está diante de Deus, voltado para Ele, deve viver realmente a relação pessoal “eu – Tu” ou “nós – Tu” com Deus.
[1] Cfr. RICARDO REYES CASTILLO, La unidad en el pensamiento litúrgico de J. Ratzinger, BAC 146, Madrid 2013.
[2] JRGS XI (edição alemã), p. 7.
[3] Por exemplo (cronologicamente): DÖLGER F.J., Sol salutis. Gebet und Gesang im christlichen Altertum… Ostung in Gebet und Liturgie, Münster 1925. RIGHETTI, M., Manuale di storia liturgica, Vol. I, Introduzione generale, Milano 1946. PETERSON, E., Frühkirche, Judentum und Gnosis. Studien und Untersuchungen, Freiburg 1959. NUSSBAUM, O., Der Standort des Liturgen am christlichen Altar vor dem Jahre 1000. Eine archäologische und liturgiegeschichtliche Untersuchung, 2 Voll., Bonn 1965. – Die Zelebration versus populum und der Opfercharakter der Messe, 1971. METZGER M., „La place des liturges à l´autel“, em: RevSR 45, 1971. GAMBER K., Ritus modernus. Gesammelte Aufsätze zur Liturgiereform, Regensburg 1972. – Liturgie und Kirchenbau. Regensburg 1976. – Zum Herrn hin! Fragen um Kirchenbau und Gebet nach Osten, Regensburg 1987. RENHART E., Das syrische Bema. Liturgisch-archäologische Untersuchungen, Graz 1995. GERHARDS A., Das Opfer. Biblischer Anspruch und liturgische Gestalt QD 186, Freiburg 2000. – Blick nach Osten! Die Ausrichtung von Priester und Gemeinde bei der Eucharistie, Geneve 2001. GERHARDS A., (2002) Versus orientem – versus populum. Zum gegenwärtigen Diskussionsstand einer alten Streitfrage: TheolRev 98, 15-22. MESSNER R., Gebetsrichtung, Altar und die exzentrische Mitte der Gemeinde, Regensburg 2003.
[4] Cfr. Cat. 1325.
[1] COSTANTINI, C. (1911) Il crocifisso nell’ arte, Libreria salesiana, Firence. PETERSON, E. (1945) La croce e la preghiera verso oriente: EphLit 59, 52-68. THOBY, P (1959) Les
crucifix des origines ou concil e du Trento, Bellanger, Nantes. LECLERQ,
H., Croix et crucifix: DACL III,
3045-3131. RATZINGER, J. (1980) La sinfonia della croce: la conoscenza di
Dio che rifulge sul volto di Cristo: Ant 55, 280-286. SCHÖNBORN,
C. (1984) El icono de Cristo. Una introducción teológica, Encuentro,
Madrid. RATZINGER, J. (1992a) Guardare
al crocifisso. Fondazione teologica di una cristologia spirituale, Jaca
book, Milano. GIGLIONI, P. (2000) La croce e il crocifisso nella tradizione
e nell’arte, LEV, Città del Vaticano. FALSINI, R. (2001a) La croce non è solo supporto al crocifisso:
VitPas 90, III, 58-59. GAGLIARDI, M. (2009) La centralità del crocifisso
nella celebrazione liturgica. “Guarderanno a colui che hanno trafitto”:
“L’osservatore romano” (9/10-III 2009) 6. IBAÑEZ VALLEJO, E. (2009) La cruz en el altar, Roma.
[2] Cfr. RIGHETTI, M., Storia liturgica I, Milano 1964, p. 535.
[3] Cfr. ANDRIEU, M., Les Ordines Romani du Haut Moyen Age. II Les
textes, SSLA, Louvain 1971.
[4] “pontifex… inclinat caput ad altare, surgens et orans et faciens crucem in fronte sua” (OR I,49). Na oração do Supplices: “sacerdos capite inclinat se ante altare” (OR V,61).
[5] Cita RIGHETTI, M. (1964) I, 535 según MABILLON 29: «Tunc subdiaconus regionarius levat crucem stationalem de altari; plane portans eam in manibus usque ad ecclesiam. Cum autem venit foras, levat eam
sursum; quam fert ante pontificem in processione usque Sanctam Mariam Maiorem […] ibique […] subdiaconus regionárius, more solito, portat crucem ad altare […] Et dominus papa cantat misam».
[6] Cfr. MARTIMORT, A.G., Estrutura e leis da celebração litúrgica: MARTIMORT, A.G. [ed] (1988) 98. [7] Cfr. MARTIMORT, A.G., Procissões, peregrinações, jubileus: MARTIMORT, A.G. [ed] III (1991) 82, nota 3.
[8] Cfr. JUNGMANN, J.A. (1952) 257. [9] INOCENCIO III (1198-1216) De sacro
altaris misterio: PL CCXVII, 811: «Em cornibus altaris duo sunt constituta candelabra, quae mediante cruce, faculas ferunt accensas» e depois «Inter duo candelabro em altari crux collocatur media»
[10] PP. Paulo VI, IGMR proemio 7: “aquele Missal de 1570 pouco difere do primeiro Missal impresso em 1474, que por sua vez reproduz com fidelidade o do tempo do Papa Inocêncio II.”
[11] Rubricae generalis missalis, XX: MR (1920) xlvii. [12] Ritus servandus in celebratione missae, II: MR (1920) lxi. [13] Sacerdos… detecto capite, facta prius cruci vel altari profunda reverentia [Ritus servandus in celebratione missae, III: MR (1920) lxi-lxii]. [14] Cum dicit: Glória Patri, tenens iunctas manus, caput inclinat versus crucem» [15] «Cum nominatur nomen Iesus, caput versus crucem inclinat: quod etiam facit cum nominatur in epistola»
[16] iungens ante pectus, caputque cruci inclinans, dicit: Oremus: MR 1920 lxiv. [17] incipit (si dicendum sit) Credo; cum dicit: in unum Deum, iungit manus, et caput cruci inclinat; […] Cum dicit: simul adoratur, caput cruci inclinat. [18] dum transitante medium altaris, caput cruci inclinat [19] CCD (1960) Rubricae breviarii et missalis romani: AAS 52 (1960) 685, número 527.
[20] «Celebrans, cum primum descenderit ante infimum gradum altaris, convertit se ad ipsum altare, ubi stans in medio, iunctis manibus, facta prius profunda reverentia, vel, si in eo sit tabernaculum sanctissimi sacramenti, facta genuflexione, erectus incipit missam» [Ritus servandus in celebratione missae III: MR (1962) vii].
4 A presença da cruz sobre o altar
Sobre o tema da cruz encontramos vários estudos[1].
Olhamos algumas rubricas anteriores ao MR-2002. El misal de Trento, que no es sino la proposición universal
retocada del misal de la Curia romana de 1474, con el cual hay de hecho pocas
diferencias4, ha experimentado desde su primera edición típica diversas
modificaciones, que son fundamentalmente aquellas de Clemente VIII (1604),
Urbano VIII (1634), LeónXIII (1884), Benedicto XV (1920) y por último Juan
XXIII (1962)5.O símbolo da cruz sobre o altar é uma antiga tradição da Igreja, seja no Ocidente como no Oriente. A liturgia bizantina mantém a cruz sobre o altar como tantas outras liturgias no oriente. Sobre a presença duma cruz sobre o altar fala Narsai de Nisibe ao redor do ano 450[2]. No Ocidente, no século VII, os primeiros Ordines Romanos[3] falam dos gestos de reverência do celebrante na Missa, fazendo as inclinações em direção ao altar[4] sem mencionar a cruz. O Ordo romanus XI do século XII menciona a cruz da procissão, que depois se coloca no altar[5]. Segundo Martimort, a partir do século XII, a cruz processional começa a ser colocada em frente ao altar. Esta cruz se converte em
cruz do altar, seja ocupando o lugar da cruz pendurado sob um arco triunfal ou sobre o mesmo altar. Triunfará mais o costume de colocá-la sobre o altar ou na parede a que está ligado[6]. Não são poucos os testemunhos da colocação da cruz em frente ao altar[7]. A cruz, segundo Jungmann, é saudada liturgicamente desde o século XII. Nessa altura, está sempre sobre o altar[8]. O Papa Inocêncio III faz uma interpretação inteira sobre a cruz no
meio do altar e os dois candelabros que a cercam[9]. Há dúvida se a cruz já levava a imagem de Jesus, mas a partir do século XIV aparece claramente o ‘crucifixo’.
4.1 1.1 Las
Rubricas del Missal Romano de 1920 y de 1962As Rubricas do Missal Romano de 1920 e 1962
O missal de Trento (1570), que nada mais é do que a proposição universalmente revista do missal da Cúria Romana de 1474, encontramos uma fiel continuidade na tradição no que se refere ao tema ‘da cruz sobre o altar’. De fato, há poucas diferenças[10] entre a sua primeira edição típica e várias modificações, que são fundamentalmente as de Clemente VIII (1604), Urbano VIII (1634), Leão XIII (1884), Bento XV (1920) e finalmente
João XXIII (1962). Nosotros no nos
limitaremos al estudio de la de Juan XXIII, sino que revisaremos también la de
Benedicto XV, en la que encontraremos algún punto de diferencia destacable de
interés para nosotros.Não nos limitaremos ao estudo de João XXIII, mas também revisaremos o de Bento XV, no qual encontraremos algum ponto com notável diferença de nosso interesse. O Missal Tridentino nos faz intuir o valor mistagógico e a atenção devida à imagem do Crucificado. En primer lugar, cuando se afirma con rotundidad y como
única posibilidad la necesidad de colocar la cruz en el centro del altar, «in
medio», y sobre este, «super».Em primeiro lugar, quando se afirma como única possibilidade a necessidade de colocar a cruz no centro do altar, «no meio», e sobre ele («super»). Es más, con al menos dos velas encendidas, una a cada lado:Além
disso, com pelo menos duas velas acesas, uma de cada lado: «Super altare collocetur crux in medio, et
candelabra saltem duo cum candelis accensis hinc et inde in utroque ejus
latere»7.«Super altare collocetur crux in médio, et candelabra saltem duo cum candelis accensis hinc et inde in utroque ejus latere»[11].
Para a cruz o sacerdote em várias ocasiões deve dirigir seu olhar e suas reverências. Ya antes del inicio de la celebración, se
prescribe una primera reverencia a la cruz oa la imagen del crucifij o que debe
estar presente en la sacristía:Já antes do início da celebração, uma primeira reverência é prescrita para a cruz ou para a imagem do crucifixo que deve estar presente na sacristia«Sacerdos,
omnibus paramentis indutus, accipit manu sinistra calicem, ut supra
praeparatum, quem portat elevatum ante pectus, bursam manu dextera super
calicem tenens, et facta reverentia cruci, vel imagini illi, quae in sacristia
erit, capite cooperto accedit ad altare, ministro cum missali et aliis ad
celebrandum necessariis (nisi ante fuerint praeparata) praecedente,
superpelliceum induto»8.[12]. Esta reverencia a la cruz del
altar se repite en numerosas ocasiones: al inicio de la misa inclinado ante la
cruz y el altar9, en el introito al rezar el“gloria al Padre”10, a cada una de
las veces que se repite el nombre de Jesús en las oraciones de la misa11 así
como con la invitación «oremus»12, en diversos momentos del credo13, al
terminar la santa misa antes de la bendición.Esta reverência para a cruz do altar é repetida em numerosas ocasiões: no início da missa, diante da cruz e do altar[13], no introito, ao rezar o «glória ao Pai»[14], em cada uma das vezes se repete o nome de Jesus nas orações da missa[15], bem como com no convite «oremus»[16], em vários momentos do credo[17], no final da Santa Missa antes da bênção. La reverencia a la cruz no es sólo prescrita para el sacerdote
celebrante, sino también para el ministro que sirve el altar.A
reverência à cruz não é apenas prescrita para o sacerdote celebrante, mas também para o ministro que serve ao altar. Así por ejemplo, en la descripción del cambio de lado del misal,
acción que lleva a cabo el ministro, éste también debe hacer inclinación ante
la cruz15.Assim, por exemplo, na descrição da mudança do lado do missal, uma ação realizada pelo ministro, ele também deve se curvar diante da cruz[18].
En 1962 Juan XXIII aprueba una nueva
“editio typica” en la que se recogen las variaciones de la celebración de la
vigilia pascual y de la semana santa introducidas por Pío XII junto con algunas
otras modificaciones introducidas con el documento Rubricae breviarii et
missalis romani de 1960. Este último documento recoge la descripción del ornato
del altar, donde, además de la descripción del hecho, incluyendo sin duda la
cruz, se añade que ésta sea «bastante grande», lo que no deja dudas sobre
suimportancia también visual.Em 1962, João XXIII aprovou uma nova «editio typica». São coletadas junto com outras modificações introduzidas com o documento Rubricae breviarii et missalis romani de 1960. Este último documento inclui a descrição da decoração do altar, onde, além da descrição do evento, incluindo sem dúvida a cruz, acrescenta-se que esta deve ser «bastante grande», o que não deixa dúvidas sobre sua importância visual. «Super altare adsit in medio crux satis magna cum crucifixo, et candelabra quae iuxta qualitatem missae requiruntur«Super altare adsit in medio crux satis magna
cum crucifixo, et candelabra quae iuxta qualitatem missae requiruntur»16.«[19].
As mudanças feitas: Quase todas as indicações sobre a reverência à cruz desaparecem. Por exemplo, em qualquer versão anterior a 1962, nos ritos iniciais encontramos uma descrição do rito em que o sacerdote é convidado a «cruci altari reverentia profunda», enquanto na edição 1962 a menção da cruz é suprimida[20]. Mais significativo ainda é ver como na doxologia final das orações da missa, bem como o nome de Jesus (as rúbricas de 1920 indicavam «caput versus crucem inclinat») a inclinação se mantém, mas fica “desorientada” (1962: “celebrans caput inclinat”), se faz sem nenhum ponto de referência concreto.
4.2 A reforma do Vaticano II
Quando em 1970 se publica o novo Missal de Paulo VI encontramos comentários nas revistas litúrgicas, assim em «Ephemerides liturgicae» de Braga e Brandolini. Mais especificamente sobre o nosso tema, a IG 270 e, depois do ano 2002, sobre IG 308, outros autores oferecem algum ponto de vista, como Cibien e Magnani, ambos também em «Rivista Liturgica» e Ward, que destaca as últimas alterações, entre 2000 e 2002 da IGMR em «Ephemerides Liturgicae». Trata-se mais de propostas negativas, porque mais do que sugerir uma solução concreta, afirma-se apenas o inconveniente de colocar a cruz no centro do altar, deixando as portas abertas a todo tipo de possibilidades. Eles consideram que o lugar da cruz não deve estar sob nenhuma circunstância no altar e muito menos no meio dele.
Gherardi menciona a cruz do altar, incluindo-a no campo das «simplificações» na decoração do altar. É impressionante como ele a apresenta em uma ampla gama de possibilidades, sem sequer mencionar a cruz no meio do altar[1]. Estamos nos movendo entre o completo esquecimento do significado da cruz do altar e sua conservação mais ou menos simbólica, mas marginal.
Braga, que comenta brevemente a modificação [entre 1974 e 2002] introduzida na cruz para especificar que deve levar a imagem do Crucificado, intui o desejo de ressaltar a natureza sacrifical da Missa para que seja imediatamente reconhecida. O autor afirma que esse detalhe não foi introduzido na edição anterior em respeito às tradições louváveis e antigas das cruzes «gloriosas» ou «gemadas», com o significado pascal[2]. A mesma ideia que encontramos em Barba:
«O parágrafo 308, referindo-se à presença da cruz sobre ou ao lado do altar, especifica, destacando a natureza sacrifical da Missa, que deve ser uma cruz com a imagem de Cristo crucificado, e que a sua presença em conjunto ao altar fora das celebrações litúrgicas recorda aos fiéis do «salutiferam Domini passionem»»[3].
Desinteresse pela cruz:
Não encontramos nenhuma referência sobre a cruz no altar em nenhuma revista ou publicação litúrgica entre os anos 1969 e 1981. Por quê? La maison Dieu, que dedica o número 100 (de 1969) da sua publicação para explicar cada um desses pontos fundamentais, descubre estes: a ‘assembleia’, as ‘canções’, os ‘ritos de introdução’, o ‘ofertório’ e a ‘comunhão’[4].
Salvatore Marsili explica «o rito, para que se recupere mais claramente a sua natureza de ser ‘sinal’ da realidade múltipla da qual carrega… o rito quer ser a expressão mais adequada de certos valores e aspectos teológicos…”. Marsili desenvolve um artigo no qual defende a forma convivial da Missa como a fundamental. É Marsili[5] quem escreve mais amplamente nesse sentido, porque se detém para explicar os diferentes conceitos-chave da Eucaristia. O primeiro conceito é «ceia do Senhor-convite pascal», para o qual ele dedica uma ampla seção com muitos detalhes bem fundamentados. Outro ponto central para Marsili é a redescoberta da assembleia.
Cabié enfatiza a novidade litúrgica de que ela seja uma celebração da comunidade. Coloca como primeiro ator a ‘assembleia’ na seção intitulada L’esprit de la réforme[6]. Brandolini baseia-se no número 7 do Ordo para definir a missa a partir da assembleia, na revista «Questions liturgiques»[7], onde se escrevem artigos com uma clara orientação antropológica.
Uma menção da cruz do altar passa despercebida. Por exemplo, quando Braga descreve os elementos do Capítulo V e VI sobre a disposição e decoração do altar, e sobre as outras coisas necessárias para a celebração da Eucaristia, nem sequer sente a necessidade de mencionar a cruz[8].
Na procissão de entrada se deixa à parte o valor visual e gestual do conjunto, para se concentrar nas palavras e nos cantos[9] ou nas atitudes do sacerdote e da assembleia[10]. Isto segue a lógica até agora exposta, segundo a qual a assembleia seria o ponto de referência. Com o rito de incensar, onde seria lógico fazer um pequeno comentário sobre a cruz, no entanto, ignora-se com toda naturalidade, apesar que está incluído no caminho de incensar o altar[11].
Textos publicados em «Notitiae», a revista da congregação, apresentando as novidades do Ordo, logicamente concentra sua atenção em outros pontos, sem insistir, no mínimo, sobre o assunto da cruz. Ao desenvolver os pontos no altar e seu ornamento, onde nenhuma referência é feita à cruz[12]. Tudo isso oferece um testemunho evidente do desinteresse geral.
Roguet[13] propõe, que a celebração da Eucaristia em sua forma externa não precisa lembrar externamente o sacrifício. Da mesma forma, como vimos, Brandolini encontra no número 7 do OM a justificativa para a centralidade da assembleia, e também baseia nesse número sua compreensão da forma externa da Eucaristia. Eles tentam trazer os fundamentos da celebração da Missa a partir da experiência bíblica e humana para chegar a uma mistagogia «verdadeira». Brandolini chega a essa conclusão: «No que diz respeito à liturgia eucarística, o sentido e o valor entendido a partir do sinal-realidade do «banquete», que é sugestivo, quer sob o ponto de vista bíblico quer existencial»[14]. O autor coloca no aspecto convivial e na forma de comida toda a força da celebração da Eucaristia. A visão sacrificial, embora deva permanecer na doutrina, não deveria sair do fundo, deveria permanecer como uma verdade interior que não encontraria nenhuma tradução externa.
Através dos comentários teológicos, que apareceram principalmente nas revistas, pudemos ver como, por causa do complicado ambiente e das leituras do Ordo, em primeiro lugar, da «descoberta» da assembleia, se descuida completamente o argumento da expressão mistagógica do sacrifício eucarístico. Não se explica o significado teológico da cruz do altar, considera-se apenas de um aspecto prático.
É fácil verificar esse panorama, revisando os artigos das revistas publicadas nos anos em que a IGMR aparece: um grande número de artigos de revistas é dedicado à criatividade, à assembleia e à natureza antropocêntrica da liturgia, à condição de convívio da Eucaristia.
5 A proposta de Ratzinger: a cruz sobre o altar
Apresentaremos dois livros de Joseph Ratzinger nos quais ele trata o tema que nos ocupa. Depois trataremos da discussão teológica que ocorreu no campo dos jornais e revistas e das respostas do Cardeal. São principalmente quatro autores que dialogam com o nosso autor: Rinaldo Falsini em italiano, Pierre Marie Gy e Olivier Bauer da França, Pere Farnés da Espanha.
Referimo-nos a A festa da fé. Ensaio sobre teológica litúrgica (publicado em 1981) e, Introdução ao espírito da liturgia (publicado em 2000).
Em 1981 Ratzinger esclarece os erros em torno da «forma» da Eucaristia que tendiam a ser confundidos com a «ceia». A sua análise não permite simplificações: a «Eucaristia» é um termo complexo que une comida e sacrifício. Entre outras questões, como a música sacra, aparece o capítulo dedicado à orientação da celebração; é nesse quadro que ele apresenta a proposta na cruz do altar. Dentro do bloco dedicado a questões práticas sobre a liturgia, encontramos um capítulo intitulado Observações sobre o problema da orientação da celebração. A proposta é apresentada aqui com alguma cautela, mas ao mesmo tempo sem duvidar de sua importância.
«Não se deve restabelecer a imagem da cruz como extremamente importante, respondendo à constante determinante de toda a Tradição da fé? Precisamente com a atual orientação da celebração, a cruz pode ser colocada sobre o altar de tal maneira que tanto o sacerdote quanto a comunidade a vejam. […] Eu ousaria lançar a tese de que a cruz no altar não é apenas um obstáculo, mas uma exigência da celebração «versus populum»»[15].
Lamentando a perda da orientação da oração, ele explica como a orientação comum da assembleia com o celebrante não é uma deformação subsequente na história da liturgia, mas tem raízes profundas na tradição constante da Igreja, contra a opinião generalizada de que considerou a celebração «versus populum», como aquela que mais está de acordo com a Igreja primitiva. Claramente, o autor propõe uma revisão desse preconceito e desenvolve em poucas páginas a «teologia do oriente». O leste, o lugar do qual o novo sol nasce todos os dias, torna-se um sinal do Cristo ressuscitado e glorioso, o «novo Sol». Celebrar a missa com toda a assembleia voltada para o oriente mostrou a abertura, a inclusão e uso simbólico de todo o cosmos, ao mesmo tempo a dimensão parusiana da Eucaristia.
«Esta orientação de oração para o leste, que transforma o cosmos em um sinal de Cristo transformando-o em um espaço de oração, foi reforçada ainda mais nos lugares de reunião de cristãos, com uma cruz na parede voltada para o leste. Isto foi originalmente interpretado como um sinal do retorno de Cristo; mais tarde foi associado cada vez mais à memória da paixão real do Senhor e a ideia escatológica da iconografia da cruz desapareceu quase completamente. Mesmo assim a receita rubricista do passado que exige colocar a cruz sobre o altar tem sua origem nesta tradição cristã inicial»[16].
A cruz é o herdeiro da teologia oriental. Pode-se afirmar que o símbolo da cruz foi celebrado, que contém toda a teologia do «oriens». Nesse sentido, houve uma continuidade que se referia à era apostólica. É um elemento que se desenvolveu naturalmente e, portanto, contém um conteúdo mistagógico forte e rico que não pode ser negligenciado. Sobre a celebração ‘versus populum’, no mesmo texto Ratzinger adverte dum perigo:
«O perigo está no fato de o comunitário transforma a comunidade em um círculo fechado e não percebe a dinâmica trinitária explosiva, que dá à Eucaristia sua grandeza. Contra esta ideia de uma comunidade autónoma e autossuficiente, será necessário lutar com todos os meios na educação litúrgica. A comunidade não dialoga consigo mesma, mas vai coletivamente ao encontro do Senhor»[17].
A segunda obra Introdução ao espírito da liturgia, é uma obra de maturidade teológica na liturgia. No segundo capítulo encontramos o ponto titulado: O altar e a orientação da oração na liturgia, onde a cruz é apresentada como uma solução para o problema da desorientação atual de oração litúrgica. Ele toma uma posição séria diante de outras opções, julgando negativamente aqueles que não desejam contemplar a cruz no centro do altar, por ser um «obstáculo»: «Um dos fenômenos verdadeiramente absurdos das últimas décadas é, a meu ver, colocar a cruz de um lado para ver o sacerdote».
A essência da liturgia é a «oração»[18] e, portanto, a participação litúrgica deve ser entendida a partir disso. O argumento não é um ponto central do livro, embora desta vez ocupe um lugar mais proeminente, mais bem fundamentado e com uma formulação mais determinada em que recolhe e critica outras posições. Aborda vários problemas da espiritualização da oração.
Ratzinger vem garantir que em todas as celebrações eucarísticas a orientação é fundamental. As primeiras comunidades não se preocupavam com a orientação do sacerdote em relação à assembleia, mas porque o olhar do ministro era direcionado para o leste. Quando se perde a consciência sobre a importância da orientação, é quando se começa a não entender por que o sacerdote olha «para o muro» ou fica «com as costas para o povo».
«Na transição do tempo românico para o gótico, a imagem central muda. O ‘Pantocrator’ não é mais representado, o Senhor do mundo que nos introduz no oitavo dia. Esta imagem gloriosa é substituída pela imagem do Crucificado em sua mais dolorosa paixão e morte»[19].
«Deve ser visível que a «oratio» é a coisa essencial, e que sua importância está no fato de dar lugar à ação de Deus. Quem entende isso facilmente entende que não é mais questão de olhar para o sacerdote ou não olhar para ele, mas olhar para o Senhor, saindo ao encontro dele”[20].
É nesta linha que a participação ativa na liturgia deve ser interpretada, é seu verdadeiro e profundo significado. A participação ativa é entendida por estar certo na compreensão da Eucaristia como uma oração.
[1] GERHARDI, L. (1969): RPL 7, 531; [2] Cfr BRAGA, C. (2000) EphLit 114, 481-497. [3] BARBA, M. (2003) RL 90, 528. [4] Cfr LMD (1969) 100, 21-116. [5] Cfr MARSILI, S. (1970) RL 57, 93-114. [6] Cfr CABIÉ, R. (1969) LMD 100, 22-23. [7] Cfr BRANDOLINI, L. (1969) EphLit 83, 387-392. [8] Cfr BRAGA, C. (1969) EphLit 83, 383-383. [9] Cfr CABIÉ, R. (1969) LMD 100, 25. [10] Cfr ROZIER, C. (1969) LMD 100, 55. [11] Cfr. ROZIER, C. (1969) LMD 100, 55. [12] Cfr. CCD (1969) Not 5, 148-158. [13] Cfr. ROGUET, A.M. (1969) LMD 100, 86-88. [14] BRANDOLINI, L. (1969) EphLit 83, 400.